ARTIGO
O sedentarismo e a “epidemia do vício em tela”
O Dia Mundial da Saúde é comemorado no dia 7 de abril. Mais que momento para celebrar, a data é ocasião para que as pessoas despertem para um alerta tão urgente quanto perigoso: o sedentarismo. Em tempos digitais, esse mal é potencializado por uma doença que começa a exibir contornos de epidemia: o vício em telas.
De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 40% dos brasileiros maiores de 18 anos são insuficientemente ativos. Na metodologia adotada pelo IBGE, classificam-se nessa categoria indivíduos que praticam menos de uma hora e meia de atividades físicas por semana. Entre os idosos do país, esse percentual chega a 60%.
Quem observa a série histórica dos números do sedentarismo no Brasil nota algo interessante. Pelo menos desde 2017, o uso excessivo de tecnologia – principalmente o de dispositivos com telas – é elencado entre os principais fatores determinantes desse problema entre nós. Um estudo publicado pela plataforma DataReportal em 2023 aponta o brasileiro como o segundo do mundo no ranking do tempo passado diante de algum tipo de tela. São nove horas por dia. De acordo com a publicação, ficamos atrás apenas dos sul-africanos.
Juntos, sedentarismo e tempo prolongado diante de telas formam a tempestade perfeita em termos de saúde pública. Entre profissionais da área, a opinião é unânime. A falta de atividade física habitual, quando aliada à exposição prolongada a televisores, notebooks e celulares reforçam hábitos como dietas desequilibradas e perda de qualidade de sono.
No médio e longo prazos, essas práticas se transformam nas doenças ligadas a maus hábitos de vida, tais como diabetes e as doenças cardiovasculares. Os impactos individuais e coletivos se instalam. Para os doentes, o sofrimento se torna crônico. Para os sistemas de Saúde Pública, o impacto é duradouro sobre a receita. Para o futuro, a tendência é o agravamento de ambas as dimensões.
Mais que nunca, é necessário deter essa torrente silenciosa de hábitos nocivos à saúde que, de maneira silenciosa e contínua, minam a vida das pessoas aos poucos. A melhor forma de combate preventivo a tais males já é bastante conhecida: a prática diária de exercícios e atividades físicas, aliada a uma dieta equilibrada, ou seja: sem a imposição de padrões inalcançáveis, mas sem os exageros que ameaçam o bem-estar.
Aqui, a mudança de estilo de vida manifesta, em sua literalidade, a eficácia do já velho e conhecido ditado, ‘é melhor prevenir que remediar’, inclusive para a Saúde Pública e seu financiamento.
Assim, um programa adequado de incentivo à mudança de qualidade de vida, aliado, por exemplo, à criação de mais parques públicos adaptados à prática de exercícios, em uma escala de acesso universal, já seria medida cujos efeitos benéficos seriam daqueles que aumentariam ao longo dos anos, com impactos duradouros para as gerações futuras. Quando o assunto é saúde, a prioridade é para ontem. E quando se fala em sedentarismo, a corrida tem de ser não apenas aquela do treino cárdio, mas também a da conscientização.
Felipe Mabel
Formado em Educação Física e empresário do ramo de alimentos